Home
MATÉRIA ESPECIAL - Saneamento
MEIO AMBIENTE
Notícias / Comportamento
Notícias / Extra
Promoção Caneca "É Com Você"
SEGURANÇA DO TRABALHO
Saúde Ocupacional - Exposição ao Sol
URBANIDADE
EDITORIAL
NOTÍCIAS E INFORMAÇÕES
Comentário em Destaque
LEGISLAÇÃO
PERFIL
GALERIA DE FOTOS
CARTILHAS
Promoções
MATÉRIA ESPECIAL
Arquivos
Artigos Anteriores
Documentos de Orientação Básica (DOB)
Editoriais anteriores
Mensagens
Vídeos Motivacionais
Painel de Comentários
Fale Conosco
 
Arquivos
Engº Ricardo Ribeiro

Guerra das Torcidas Uniformizadas

03/07/12
A “guerra” das torcidas uniformizadas. Existe alguma solução?

 (publicado em 09/04/12)

A “guerra” das torcidas uniformizadas. Existe alguma solução?

O surgimento das torcidas uniformizadas no Brasil data da década de 40, a finalidade maior era incentivar os jogadores.

Um recente levantamento realizado pelo jornal Lance Net, revelou que desde 1988 ocorreram 155 mortes ligadas ao futebol no Brasil. (veja gráfico abaixo)

O estudo ainda nos traz a Faixa Etária dos mortos e as Causas que foram registradas, veja abaixo:

 

Observe que a maioria dos mortos é jovem. É fato que nesses números existem vítimas (de fato), mas também existem os que foram mortos “em combate”, ou seja, estavam envolvidos (diretamente) na confusão.

Relatarei uma experiência pessoal: Em 1980 eu e meu irmão fomos assistir a um jogo do Palmeiras x São Paulo no estádio do Morumbi. Morávamos próximo ao Parque Antártica. Visando economia no transporte, fomos no ônibus de uma torcida uniformizada, que cobrava um valor único (ida-volta). Durante o percurso de ída, ficamos abismados com os “gritos de guerra” dos integrantes uniformizados, tais como: “....vai morrer!!!”; “....é o terror”. Torcedores de outros times arremessavam ovos contra o

ônibus que estávamos (fui atingido por um!). Chegando ao estádio (que agora muitos querem chamar de Arena, por causa da copa – vide quadro ao lado), ficamos na arquibancada, separados dos integrantes dessa torcida, que nos levou ao estádio. Antes e durante o jogo, muitos torcedores (independentemente de ser ou não de alguma uniformizada) urinavam em sacos de lixo ou copos de cerveja, e os lançavam arquibancada abaixo, como se fosse um show. Podemos imaginar a mentalidade desses cidadãos.

Ao término da partida (São Paulo 1 x 0 Palmeiras) começamos a deixar as arquibancadas, quando alguns torcedores (uniformizados ou não) revoltados com o resultado, iniciaram um quebra-quebra nas telhas das cabines de rádio do estádio. Resultado: A polícia (tropa de choque) foi acionada e espremeu os torcedores no túnel de acesso às arquibancadas, distribuindo cassetete pra todo lado (inclusive fui atingido. Além da dor, o vergão levou 1 mês para desaparecer!). Depois disso, os “torcedores” se acalmaram. Então, entramos no ônibus e iniciamos a viagem de volta.

Durante o percurso, os torcedores avistaram um torcedor do São Paulo caminhando com sua namorada embaixo do elevado Costa e Silva (vulgo: minhocão). Ordenaram ao motorista que parasse o ônibus imediatamente, e desceram para atacar o são paulino. Deram uns tapas no são paulino, o fizeram tirar a camisa, ateando fogo na mesma. (percebem a associação com fações criminosas ou Bando?). Depois voltaram para o ônibus e chegamos ao Parque Antártica novamente.

Pois é, foi minha única experiência desse tipo. A última vez que entrei em um estádio de futebol foi no ano de 2000, para ver o Palmeiras pela Libertadores.

A verdade é que não tratava- se de uma torcida uniformizada , e sim um Bando, ou seja, um grupo de torcedores que se colocam como “defensores” de uma determinada agremiação. É preciso deixar claro que não há nenhuma organização na constituição dessas torcidas.

O jovem sente-se livre das cobranças no emprego, dos pais e, quando se junta com os demais integrantes, entende que não está sujeito às normas de convivência social, às Leis, não precisando ter nenhum senso de responsabilidade.

É como se fosse o “passaporte” para sua “liberdade de expressão”. Um lugar (espécie de Reino) onde não existem limites comportamentais.

Caro Leitor (a), o que é mais assombroso nesse caso, é que esse padrão de comportamento tem sua origem na educação que esse jovem recebeu dos seus pais. Isso mesmo, os pais são “modelos de comportamento” para seus filhos, ou seja, a maneira como se comportam em situações do cotidiano (inclusive torcendo pelo time de coração) torna-se um referencial fundamental para sua formação. Isso significa que, se os pais são agressivos, adeptos da (famosa) “Lei de Gerson”: “gosto de levar vantagem em tudo, certo?”, dirigem perigosamente, dão valor aos bens materiais, furam fila na padaria, banco, no trânsito, jogam lixo pela janela do carro, xingam o torcedor do time adversário, ou até mesmo agridem (verbal ou física) outras pessoas, a criança assimilará todos os valores comportamentais de modo espontâneo e inconscientemente (1).

Cabe ressaltar que isso não quer dizer que a culpa é única e exclusivamente dos pais, mas é preciso entender que a base da educação e formação da criança é a família e não a escola. Se o jovem teve uma base pouco estruturada, uma convivência desagregada com amigos, e se torna membro de uma torcida uniformizada, podemos prever o resultado.

Portanto Leitor (a), não há uma resposta clara à nossa pergunta no título do artigo, talvez estabelecer Leis mais rígidas seja o caminho para inibir os confrontos e o vandalismo, mas não existe (e nem existirá) recurso jurídico que possa interferir na educação e formação do jovem, obrigando os pais a adotarem um comportamento social plausível.

Eu acredito que a resposta está em nossas mãos.

Não podemos aceitar desvio de comportamento como algo comum, simples e/ou inevitável.

Nada de agirmos ou pensarmos para as futuras gerações, temos que agir e pensar agora.

Agora, é com você!

Engº Ricardo Ribeiro.
Canal Direto
Nome
E-mail
Cidade
Estado
Digite o código acima: